Crítica

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    A Virtude Esquecida: Amor ou Liderança

    No correr dos séculos, as virtudes humanas se metamorfosearam à medida que a sociedade avançava, ou talvez, regredia. Se você perguntasse a 20 homens íntegros dos nossos dias qual acreditam ser a maior das virtudes, dezenove responderiam: “abnegação”. Mas se perguntasse a qualquer um dos grandes cristãos do passado, diria: “amor” (C. S. LEWIS, Peso de Glória). Hoje, porém, se essa mesma pergunta fosse feita, é provável que a resposta ficasse entre liderança, sucesso e suas variáveis. O que houve com o amor? O que aconteceu com a virtude que uma vez foi a coroa da espiritualidade cristã? O problema é que nossa época tem vivido uma inversão de valores.…

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    Os Maus Devem Morrer? O Cristianismo de Redes Sociais

    Vivemos tempos estranhos. Tempos em que o rótulo de “cristão” vem sendo usado em perfis de redes sociais como uma medalha de honra, mas as palavras que acompanham esse título revelam uma contradição gritante. Diariamente, nos deparamos com postagens de supostos seguidores de Cristo que exclamam frases como “Bandido bom é bandido morto,” “Os sem terra devem morrer mesmo,” e “Estuprador tem que ser linchado mesmo.” Ao ler tais declarações, me pergunto: que tipo de cristianismo essas pessoas estão professando? É possível que estes “cristãos” não entendam absolutamente nada sobre a Bíblia ou o amor de Deus. Pior ainda, talvez nunca tenham experimentado o real significado de ser um seguidor…

  • Crítica

    A Queda Humana e a Realidade do Pecado

    A recente denúncia contra o ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, acusado de assédio sexual por 14 mulheres, incluindo a ministra Anielle Franco, revisita uma reflexão profunda sobre a natureza humana, o poder, e a corrupção moral. Silvio Almeida, um homem negro e intelectual respeitado, sempre lutou contra as injustiças sociais, especialmente aquelas que afetam os mais vulneráveis. No entanto, as acusações que recaem sobre ele revelam uma contradição dolorosa: mesmo aqueles que se posicionam como defensores da justiça podem cair nas mesmas práticas de dominação que sempre condenaram. A filósofa Djamila Ribeiro, em sua análise das dinâmicas raciais e de gênero, aponta que a mulher negra ocupa a última…

  • Crítica

    Coachs e o Desprezo pela Teologia

    Vivemos tempos estranhos. Enquanto teólogos dedicam anos de suas vidas ao estudo profundo das Escrituras, mergulhando em línguas antigas, contextos históricos e interpretações complexas, surge uma nova onda de “gurus”, coachs, que, com um vocabulário raso e uma retórica barata, arrastam multidões e engordam suas contas bancárias. É impossível não sentir uma profunda tristeza ao testemunhar essa inversão de valores, onde o estudo sério da teologia é marginalizado em favor de promessas vazias e ilusões douradas. Leia também: Os malefícios do coaching à igreja cristã Teólogos passam décadas em formação, investem em mestrados, doutorados, dedicam horas incontáveis à leitura e reflexão, e, ao final, muitos deles dedicam seus conhecimentos à…

  • Crítica

    O Fetiche do Pobre pelos Ricos e Poderosos

    Vivemos em um país onde a disparidade social é gritante, mas o que mais intriga é a adoração quase irracional que muito brasileiro pobre tem pelos ricos e poderosos. Há uma síndrome peculiar, uma espécie de fetiche nacional, em que o cidadão comum, mesmo sofrendo as consequências das decisões desses magnatas, levanta sua voz para defendê-los, como se fossem divindades intocáveis. E essa defesa não vem de argumentos racionais, mas de uma cegueira voluntária que beira o absurdo. É só surgir uma notícia sobre a investigação de um bilionário ou milionário, que logo surge uma legião de defensores apaixonados, prontos para culpar a mídia, o governo, ou qualquer entidade que…

  • Crítica

    A Era da Positividade Negativa

    Vivemos tempos estranhos, onde a felicidade parece ter se tornado uma obrigação. O sorriso estampado nas redes sociais virou regra, e qualquer sinal de tristeza ou desconforto é prontamente varrido para debaixo do tapete. As pessoas passaram a acreditar que a vida de todos, exceto a delas mesmas, é um mar de rosas, uma sucessão interminável de momentos felizes e perfeitos. É o que chamo de “positividade negativa”—um conceito contraditório que esconde mais do que revela. Nesta era de aparências, a infelicidade, a tristeza, o sofrimento e até a morte se tornaram tabus. Não se fala deles, não se aceita que eles façam parte da vida. A busca pela felicidade…