Neurodiversidade
O Papel do Diálogo Interior no Pensamento Humano
O diálogo interior ou autofala, frequentemente considerado um dos aspectos mais intrigantes do funcionamento da mente humana, tem uma função crucial no processo de organização, tomada de decisões e autocompreensão. Muitas pessoas, principalmente as neurotípicas, usam esse diálogo como uma ferramenta de planejamento, reflexão e até mesmo autoorientação em tarefas cotidianas. Contudo, recentemente, descobriu-se que nem todas as pessoas possuem um diálogo interior ativo. Para algumas, a mente é quase silenciosa, com um fluxo de pensamentos mais baseado em sentimentos ou ações do que em palavras ou imagens mentais. Essa ausência de autofala levanta uma questão essencial: como a mente funciona nessas circunstâncias? Além disso, para as pessoas que têm…
A Dor em Pessoas Autistas
A dor, para os seres humanos, é um fator intrínseco e inevitável. Ela é capaz de nos alertar sobre problemas, nos proteger de danos maiores e nos lembrar de nossa fragilidade. No entanto, quando se trata de pessoas autistas, a experiência da dor não é apenas física, mas se desdobra em camadas adicionais que poucos compreendem. A dor no autismo envolve distúrbios sensoriais, dificuldades proprioceptivas e desafios comunicacionais, que, quando não compreendidos, aumentam exponencialmente o sofrimento da pessoa autista. Este artigo visa analisar de maneira crítica e científica as particularidades da dor em indivíduos autistas, as consequências dessa vivência e como podemos auxiliar de forma eficaz. Leia também: O Jogo…
Esquisito Para Quem? Normatividade e Autismo
Vivemos em uma sociedade que impõe, de maneira sutil ou explícita, normas sobre como devemos nos comportar, pensar e até sentir. Esta “normatividade social” cria um padrão usado para julgar comportamentos como aceitáveis ou “estranhos”. Para alguém como eu, autista, ser chamado de “esquisito” é uma experiência recorrente. Contudo, a pergunta que me faço é: esquisito em relação a quem ou a quê? Leia também: A Desvantagem Social do Autista de Nível 1 A normatividade social é construída a partir de um consenso majoritário sobre o que é “normal”. Assim, características comportamentais de grupos sociais são generalizadas e cristalizadas como padrões. Alemães e suecos são frequentemente descritos como frios e…
O Amor que Reconhece as Diferenças
Ao entrar na clínica onde meu filho, autista, realiza suas sessões de terapia, deparei-me com uma frase que, à primeira vista, parece acolhedora e cheia de boas intenções: “Enquanto existir amor, não haverá diferenças.” No entanto, ao refletir mais profundamente sobre essas palavras, percebo o quanto elas são problemáticas, principalmente quando aplicadas ao contexto da neurodiversidade. A neurodiversidade, como o próprio nome sugere, é o reconhecimento das diferenças neurológicas entre os indivíduos. Ela nos ensina que o cérebro humano pode funcionar de diversas maneiras, e essas variações são naturais e devem ser respeitadas. A frase na clínica, porém, parece sugerir que o amor tem o poder de apagar ou ignorar…
Sobre o Estranho Preconceito
O mundo tem suas normas não escritas. São como linhas invisíveis que tecem o comportamento, o pensar, o existir. E, para quem não se encaixa nelas, sobra o rótulo: estranho. “Que menino estranho”, ouvi durante toda a minha infância. Era como se o que eu fosse tivesse algo de errado, algo que devia ser corrigido, ajustado. O tempo passou, os olhares e os sussurros ficaram. A sociedade, tão obcecada pela ideia de uma normalidade única, esquece que cada um de nós é um universo complexo e irrepetível. Leia também: Hostilidade Contra Autistas de Nível 1 Curiosamente, ser chamado de “estranho” me fez pensar no que é ser normal. Não existe…
Hostilidade Contra Autistas de Nível 1
No debate sobre neurodiversidade, a sociedade parece ter uma relação desconcertante com os autistas de nível 1 de suporte. Isso acontece porque esses indivíduos vivem em uma zona limítrofe: são percebidos como “estranhos demais para serem normais, normais demais para serem autistas”. Essa percepção é fundamentalmente capacitista, alimentada por preconceitos que tornam invisíveis as dificuldades reais que enfrentamos. A sociedade precisa urgentemente reconhecer que não existe “autista de mais ou de menos”. Há apenas autistas, cada um com suas necessidades e desafios específicos. Leia também: A Desvantagem Social do Autista de Nível 1 O nível de suporte, que define o quanto um autista precisa de ajuda para suas necessidades diárias,…