Crítica série Agatha: Desde Sempre (Disney+)

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Agatha: Desde Sempre, a mais recente série do universo Marvel produzida pela Disney+, é um spin-off de WandaVision que explora as complexidades de Agatha Harkness, interpretada com maestria por Kathryn Hahn. Em uma narrativa que mescla elementos de horror e humor com o peso da fantasia sombria, a série acerta ao resgatar a anti-heroína diretamente dos quadrinhos e mostrar todas as facetas de sua personalidade complexa – de mentora até possível arqui-inimiga.

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A trama se inicia com Agatha ainda sob a maldição imposta pela Feiticeira Escarlate, Wanda Maximoff, aprisionada em um ciclo de sonhos que beira o pesadelo. A série ganha força quando William, revelado posteriormente como Billy Maximoff (ou Wiccano, como é conhecido nas HQs), a liberta. Esse resgate abre espaço para uma aliança improvável: Billy e Agatha se unem em uma jornada de busca por poder e autoconhecimento, enquanto formam um Coven, um círculo de bruxas que desempenha um papel importante na recuperação dos poderes de Agatha.

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A narrativa é envolvente e consegue manter o espectador interessado ao revelar, gradualmente, as verdadeiras intenções de Billy. A relação entre ele e Agatha é um dos pontos altos da série, repleta de desconfiança e respeito. Billy, em busca de respostas e crescimento, se torna um aprendiz da bruxa, embora nunca deixe de ver suas falhas e seus potenciais riscos. O roteiro consegue dosar o suspense, revelando as motivações de Billy e as dinâmicas de poder no Coven de forma intrigante e, às vezes, surpreendente.

Agatha Harkness é retratada de maneira multifacetada e vai muito além da vilã padrão; ela transita entre vulnerabilidade e uma autoconfiança que beira a arrogância, provocando no público emoções antagônicas. É quase impossível não torcer por ela em determinados momentos, ainda que sua moralidade seja questionável. Ao longo dos episódios, sentimentos de compaixão, pena e até uma dose de ódio pela personagem tornam a experiência envolvente e fazem de Agatha uma das anti-heroínas mais bem trabalhadas do universo Marvel até agora.

Outro ponto forte da série é a construção dos personagens coadjuvantes, que não são apenas pano de fundo, mas elementos essenciais para o desenrolar do enredo. Cada membro do Coven possui uma história própria, revelada aos poucos, que enriquece a trama principal e traz uma profundidade inesperada para a série. Essas personagens agregam camadas importantes à narrativa e tornam a trajetória de Agatha e Billy ainda mais rica e envolvente.

O ponto em que a série se destaca é a habilidade de mesclar leveza e profundidade. A direção aproveita bem os momentos de humor de Hahn sem comprometer o peso emocional da trama. Agatha: Desde Sempre consegue, assim, posicionar-se entre as melhores produções da Marvel ao explorar, sem receio, a zona cinzenta da moralidade, adicionando complexidade à trajetória de personagens que, normalmente, seriam considerados vilões.

No entanto, apesar de seus inúmeros méritos, a série apresenta alguns pontos que poderiam ser melhor desenvolvidos, como o ritmo em certos episódios que se alongam além do necessário e algumas explicações que poderiam ser mais concisas. Ainda assim, tais detalhes não tiram o brilho da produção, que é cativante e surpreendente.


Ficha Técnica de Agatha: Desde Sempre

  • Título Original: Agatha: All Along
  • Direção: Jac Schaeffer
  • Produção: Marvel Studios
  • Roteiro: Jac Schaeffer e equipe de roteiristas da Marvel
  • Baseado em: Personagens da Marvel Comics, criados por Stan Lee e Jack Kirby
  • Elenco Principal: Kathryn Hahn (Agatha Harkness), Joe Locke (Billy Maximoff/Wiccano)
  • Gênero: Fantasia, Mistério, Aventura
  • Idioma Original: Inglês
  • Distribuição: Disney+
  • País de Origem: Estados Unidos
  • Ano de Lançamento: 2024
  • Duração: Aproximadamente 45 minutos por episódio
  • Número de Episódios: 9 episódios
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Paulo Freitas

Paulo Freitas

Paulo Freitas é teólogo, filósofo, professor e presbítero. Autista, escreve sobre fé, fragilidade, dor, neurodiversidade e tudo o que nos torna profundamente humanos.

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