Tecnologia e Fé: Como os Cristãos Podem Usar o Progresso para a Glória de Deus

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Nos últimos 60 anos, testemunhamos uma explosão sem precedentes no desenvolvimento tecnológico. Especialmente nas últimas duas décadas, a tecnologia se expandiu de forma tão rápida e abrangente que muitas pessoas se sentem sobrecarregadas, sem tempo para assimilar as mudanças ou desenvolver um pensamento crítico que acompanhe esse ritmo acelerado. A expectativa de vida aumentou significativamente, graças aos avanços na medicina, na engenharia e em outras áreas. No entanto, junto com esses benefícios, surgem preocupações profundas: a física quântica e a inteligência artificial (IA) assustam, teorias da conspiração proliferam, e muitos temem que as máquinas possam dominar o mundo. Outros acreditam que isso já está acontecendo.

Leia também: Misticismo Quântico: A Distorção da Física

Mas, segundo estudiosos da tecnologia, estamos entrando em um período de “estacionamento” tecnológico. Isso não significa que o progresso cessará, mas sim que ele se aprofundará em áreas já exploradas, em vez de abrir novos horizontes revolucionários. Diante desse cenário, surge uma pergunta crucial para os cristãos: como devemos nos posicionar e agir em meio a esse turbilhão de mudanças? A resposta está em entender que a tecnologia, em si, não é boa nem má — ela é uma ferramenta. E como toda ferramenta, seu valor depende do uso que fazemos dela.

Tecnologia e a História da Igreja: Uma Relação de Longa Data

Desde os primórdios da humanidade, o desenvolvimento tecnológico tem sido uma constante. Aprender a controlar o fogo, criar a roda, desenvolver a escrita e a comunicação, construir grandes embarcações — todos esses avanços foram transformadores. E, em cada época, a Igreja encontrou maneiras de utilizar a tecnologia disponível para propagar o Evangelho e servir ao próximo. O apóstolo Paulo, por exemplo, usou as cartas como uma forma de “ensino a distância”, escrevendo epístolas que até hoje guiam e instruem os cristãos. A Igreja primitiva aproveitou as estradas romanas para expandir sua missão, e mais tarde, a imprensa de Gutenberg revolucionou a disseminação da Bíblia, tornando-a acessível a milhões.

Hoje, temos à nossa disposição ferramentas poderosas: a internet, as redes sociais, a inteligência artificial, a biotecnologia e muito mais. Essas inovações podem ser usadas para glorificar a Deus, promover o bem-estar humano e fortalecer a fé. No entanto, também podem ser distorcidas para fins egoístas, destrutivos ou até mesmo para espalhar desinformação e divisão.

O Desafio Cristão: Usar a Tecnologia com Sabedoria e Propósito

Infelizmente, muitos cristãos têm falhado em usar a tecnologia de maneira sábia e glorificadora a Deus. Em vez de construir pontes, alguns usam as redes sociais para atacar, difamar e espalhar fake news. Em vez de investir tempo em conteúdos edificantes, muitos se perdem em horas de entretenimento vazio e, muitas vezes, prejudicial. Isso é uma distorção do propósito divino para nossas vidas e para as ferramentas que Ele nos deu.

A Bíblia nos ensina que “tudo o que fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens” (Colossenses 3:23). Isso inclui o uso da tecnologia. Seja ao postar nas redes sociais, ao desenvolver um algoritmo de IA ou ao usar um aplicativo de estudo bíblico, nossa motivação deve ser glorificar a Deus e servir ao próximo. A tecnologia, como o avião, pode ser usada para o bem (levando missionários a lugares remotos) ou para o mal (como arma de destruição). A escolha é nossa.

A IA e o Conhecimento: Cumprindo a Profecia Bíblica

A inteligência artificial, muitas vezes vista com desconfiança, pode ser uma ferramenta poderosa para o avanço do Reino de Deus. A Bíblia profetiza que “a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Habacuque 2:14). Hoje, vemos essa profecia se cumprindo de maneiras surpreendentes. A IA pode ajudar a traduzir a Bíblia para línguas remotas, analisar grandes volumes de dados para identificar necessidades missionárias ou até mesmo criar recursos educativos para discipulado. No entanto, é crucial que os cristãos estejam envolvidos no desenvolvimento e na aplicação dessas tecnologias, garantindo que elas sejam usadas de maneira ética e alinhada com os valores do Reino.

Conclusão: Tecnologia como Ferramenta, não como Fim

O avanço tecnológico não é um fim em si mesmo, mas uma ferramenta que pode ser usada para o bem ou para o mal. Como cristãos, somos chamados a ser sal da terra e luz do mundo (Mateus 5:13-16), inclusive no mundo digital. Precisamos nos engajar criticamente com a tecnologia, usando-a para promover a verdade, o amor e a justiça. Devemos ser exemplos de como usar essas ferramentas para glorificar a Deus, servir ao próximo e fortalecer a comunidade de fé.

A tecnologia não dominará o mundo, mas pode ser dominada por aqueles que a usam com sabedoria e propósito. Que possamos, como Igreja, estar na vanguarda desse movimento, usando cada avanço para cumprir a missão que nos foi confiada: anunciar as boas-novas do Evangelho e amar uns aos outros como Cristo nos amou. Afinal, como disse o apóstolo Paulo, “tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada me domine” (1 Coríntios 6:12). Que essa seja nossa postura diante da tecnologia: usá-la com liberdade, mas sem ser dominados por ela, sempre para a glória de Deus.

Para entender mais:

Fé cristã e tecnologia – Lausanne Movement

O Cristianismo e a História da Tecnologia – Parte 1 | Associação Brasileira de Cristãos na Ciência: ABC²

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Paulo Freitas

Paulo Freitas

Paulo Freitas é teólogo, filósofo, professor e presbítero. Autista, escreve sobre fé, fragilidade, dor, neurodiversidade e tudo o que nos torna profundamente humanos.

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