
Crítica: Seu Amigão da Vizinhança: Homem Aranha
O Cabeça de Teia está de volta em uma nova roupagem animada que, ao mesmo tempo, soa familiar e completamente inusitada. Homem-Aranha: Seu Amigão da Vizinhança nos leva a uma dimensão alternativa onde Peter Parker ainda é o nerd desastrado que conhecemos, mas com algumas diferenças instigantes. De roupas que remetem aos anos 80 ao toque místico em sua origem heroica, a série reinventa a história do Aranha sem perder sua essência cativante.
Leia também: Crítica série Agatha: Desde Sempre (Disney+)
A ambientação é um prato cheio para os fãs de longa data. O estilo artístico resgata a estética dos quadrinhos clássicos, trazendo aquele traço inconfundível que faz qualquer apaixonado pelo Teioso sentir-se folheando um gibi direto da Era de Prata. E se o visual já é um deleite, a trilha sonora vem para completar o pacote, conduzindo a narrativa com uma energia vibrante e bem pensada.
Peter, aqui, é uma mistura entre o jovem Tom Holland e um cientista de filme dos anos 80, com direito a óculos e roupas nada estilosas. Mas não se engane: sob o uniforme do Aranha, ele continua sendo aquele herói espirituoso e falastrão, sempre pronto para zoar seus inimigos enquanto os enfrenta com malabarismos acrobáticos. As cenas de ação são fluidas e eletrizantes, garantindo o dinamismo que qualquer boa história do Aranha precisa ter.
A maior ousadia da série, sem dúvidas, é sua abordagem diferenciada sobre a origem de Peter. Nada de aranhas radioativas em um experimento científico; aqui, a transformação do herói tem um toque meio místico e paradoxal que, curiosamente, se encaixa bem dentro do universo do personagem.

Outro ponto que merece destaque é a presença de outros heróis e amigos do Aranha ao longo da série. A interação de Peter com essas figuras amplia o universo da história e traz uma dinâmica empolgante para os episódios. As lutas são intensas, bem coreografadas e deixam aquele gostinho de “quero mais”.
Porém, um ponto me incomodou bastante: os uniformes do Homem-Aranha. Assim como nos filmes produzidos pela Disney, os trajes do Teioso não foram concebidos por ele, mas sim por um “riquinho”. Se no cinema Tony Stark foi o benfeitor, na série esse papel coube a Norman Osborn e até ao seu filho Harry. Os produtores ignoram completamente a inteligência de Parker, esquecendo que ele é quem é exatamente por superar seus poucos recursos e agir sem estar à sombra de ninguém. O Aranha não precisa de um “dono do dinheiro” para se tornar o herói icônico que é.
Fora esse detalhe, a série superou as minhas expectativas. A narrativa é envolvente, o ritmo é bem construído e cada episódio deixa um impacto marcante. O respeito ao legado do personagem continua, e a combinação entre traço clássico e trilha sonora envolvente fazem desta uma boa adaptação animada do Teioso.
Nota: 08/10.
Leia também:
Crítica | ‘Seu Amigão da Vizinhança: Homem-Aranha’ chega à reta final de forma inconstante
Ficha Técnica: Homem-Aranha
Título Original: Your Friendly Neighborhood Spider-Man
Ano de Produção: 2025
Gêneros: Ação, Animação, Aventura, Comédia, Super-herói
País de Origem: Estados Unidos
Roteiro: Jeff Trammell, Stan Lee, Steve Ditko
Produtores Executivos: Brad Winderbaum, Dana Vasquez-Eberhardt, Jeff Trammell, Kevin Feige, Louis D’Esposito
Direção: Mel Zwyer (diretora supervisora), Liza Singer, Stu Livingston
Estreia no Brasil: 29 de janeiro de 2025
Trilha Sonora: Composta por Leo Birenberg e Zach Robinson
Tema de Abertura: “Neighbour Like Me” por The Math Club, com Relaye e Melo Makes Music
Views: 2

