E Se Jesus Fosse Autista?
E se Jesus fosse autista? Para alguns, essa pergunta soa como uma provocação, para outros, um mero exercício de imaginação. No entanto, o impacto dessa simples questão vai muito além de especulações sobre diagnósticos possíveis; ela nos leva ao âmago da nossa visão de quem Cristo é e, talvez mais profundamente, do que entendemos sobre a humanidade. A série The Chosen, da Angel Studios, trouxe uma representação de Mateus como um discípulo autista. Mateus, o cobrador de impostos, cuja função o isolava da sociedade, cujas interações são descritas nos evangelhos como breves e muitas vezes incômodas. A escolha narrativa de retratá-lo como autista despertou reações apaixonadas — favoráveis e contrárias.…
Crítica à Série: Scorpion
A série Scorpion é um daqueles programas que você assiste várias vezes e, mesmo sabendo de todos os seus defeitos, ainda assim se emociona e se identifica com os personagens. Embora seja carregada de clichês, especialmente na forma como retrata a genialidade, é uma produção que consegue cativar – talvez justamente porque fala com quem muitas vezes não se vê representado na tela. Eu me vi em muitos dos personagens de Scorpion, não pela inteligência surreal, mas pelos traços antissociais e, mais especificamente, pelo autismo presente em alguns deles. O jeito desajeitado, a dificuldade de interagir socialmente, o foco em detalhes que os outros ignoram… Tudo isso está lá. Talvez…
Testemunha Inocente: Autismo e Ficção
Acabei de assistir ao filme sul-coreano Testemunha Inocente e, enquanto o enredo possui todos os ingredientes de um thriller judicial cativante, a maneira como retrata o autismo me deixou com um gosto amargo. A trama gira em torno do julgamento de uma cuidadora acusada de homicídio. A vítima, um idoso, foi encontrada com um saco plástico na cabeça, e a questão é: foi suicídio ou assassinato? O ponto alto do filme está no depoimento de Ji-Woo, uma adolescente autista que presenciou o ocorrido. Leia também: Crítica: Coringa: Delírio a Dois A história é envolvente: um advogado de defesa determinado a absolver sua cliente se aproxima de Ji-Woo, oferecendo lanches e…
Esquisito Para Quem? Normatividade e Autismo
Vivemos em uma sociedade que impõe, de maneira sutil ou explícita, normas sobre como devemos nos comportar, pensar e até sentir. Esta “normatividade social” cria um padrão usado para julgar comportamentos como aceitáveis ou “estranhos”. Para alguém como eu, autista, ser chamado de “esquisito” é uma experiência recorrente. Contudo, a pergunta que me faço é: esquisito em relação a quem ou a quê? Leia também: A Desvantagem Social do Autista de Nível 1 A normatividade social é construída a partir de um consenso majoritário sobre o que é “normal”. Assim, características comportamentais de grupos sociais são generalizadas e cristalizadas como padrões. Alemães e suecos são frequentemente descritos como frios e…
O Amor que Reconhece as Diferenças
Ao entrar na clínica onde meu filho, autista, realiza suas sessões de terapia, deparei-me com uma frase que, à primeira vista, parece acolhedora e cheia de boas intenções: “Enquanto existir amor, não haverá diferenças.” No entanto, ao refletir mais profundamente sobre essas palavras, percebo o quanto elas são problemáticas, principalmente quando aplicadas ao contexto da neurodiversidade. A neurodiversidade, como o próprio nome sugere, é o reconhecimento das diferenças neurológicas entre os indivíduos. Ela nos ensina que o cérebro humano pode funcionar de diversas maneiras, e essas variações são naturais e devem ser respeitadas. A frase na clínica, porém, parece sugerir que o amor tem o poder de apagar ou ignorar…
Sobre o Estranho Preconceito
O mundo tem suas normas não escritas. São como linhas invisíveis que tecem o comportamento, o pensar, o existir. E, para quem não se encaixa nelas, sobra o rótulo: estranho. “Que menino estranho”, ouvi durante toda a minha infância. Era como se o que eu fosse tivesse algo de errado, algo que devia ser corrigido, ajustado. O tempo passou, os olhares e os sussurros ficaram. A sociedade, tão obcecada pela ideia de uma normalidade única, esquece que cada um de nós é um universo complexo e irrepetível. Leia também: Hostilidade Contra Autistas de Nível 1 Curiosamente, ser chamado de “estranho” me fez pensar no que é ser normal. Não existe…