• A imagem retrata um grupo de pessoas envolvidas em atividades agrícolas e intelectuais, evocando um ambiente rural e de trabalho coletivo. No primeiro plano, dois homens estão ajoelhados no solo, plantando mudas com grande atenção e esforço. Um deles veste uma camisa branca arregaçada, demonstrando dedicação ao trabalho braçal. Ao lado, uma mulher segura uma vara ou uma pequena árvore, enquanto outra lê um livro, sugerindo a combinação de conhecimento e prática. No centro da composição, uma mulher vestida de maneira elegante segura um prato e observa a cena com uma expressão serena e contemplativa. À direita, uma figura com um lenço vermelho segura uma cruz de madeira, simbolizando talvez fé ou um elemento religioso, enquanto um homem sentado escreve atentamente em um livro ou caderno, representando o registro do conhecimento ou da administração do trabalho. Ao fundo, a paisagem e o céu carregado de nuvens escuras criam uma atmosfera dramática, contrastando com a luz que ilumina os personagens, destacando seu esforço e propósito. A cena transmite uma mensagem de trabalho, fé e sabedoria, podendo sugerir uma reflexão sobre a relação entre a terra, o conhecimento e a espiritualidade.
    Crônicas

    A Medida do Fazer: Crítica e Complementaridade

    Há uma linha tênue entre o fazer e o julgar. Uma linha que, quando cruzada, revela mais sobre quem critica do que sobre quem é criticado. Quantos de nós, em algum momento, não nos vimos diante do espelho da superioridade, achando que nosso fazer era maior, mais nobre, mais necessário? E, no entanto, quantas vezes esse mesmo espelho nos devolveu a imagem de alguém que, enquanto fazia uma coisa, deixava incontáveis outras por fazer? A vida é um mosaico de ações e omissões. Quem planta uma árvore não está curando um doente. Quem escreve um poema não está construindo uma casa. Quem lidera uma nação não está alimentando um mendigo.…

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    O Relógio da Alma: Agora e Eternidade

    A vida é uma dança entre o relógio e a eternidade. Enquanto muitos correm em direção a um futuro que parece sempre fugir, eu me encontro parado — não por inércia, mas por escolha — no agora. O agora é meu refúgio, meu templo, meu deserto e meu jardim. É nele que percebo a textura do tempo, não como uma linha reta que nos empurra para frente, mas como um círculo sagrado que nos convida a habitar cada instante com plenitude. Desde criança, eu nunca entendi a pressa dos outros. Enquanto meus colegas ansiavam por crescer, por deixar a infância para trás como se fosse um fardo, eu me agarrava…

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    Olhos Abertos Também Sabem Orar

    Nunca consegui fechar os olhos ao orar. Não é por falta de respeito, falta de fé ou, como alguns talvez insinuem, rebeldia. É pelo excesso de barulho. Não o barulho do mundo lá fora – esse eu já aprendi a tolerar. É o som contínuo, insistente, que reverbera dentro da minha cabeça. Pensamentos, imagens, fragmentos de frases, memórias, vozes sem som, tudo se agitando como se o silêncio fosse impossível. E é justamente isso que me impede de fechar os olhos. Porque, ao fechá-los, parece que tudo aquilo ganha mais força. A escuridão vira um palco, e as vozes se tornam espectadores prontos para aplaudir o caos. Então, mantenho os…

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    Dias Nublados e Memórias Afetivas

    Há um encanto secreto nos dias nublados, uma espécie de abraço silencioso que o céu nos oferece quando as nuvens se fecham sobre o mundo, abafando o excesso de luz e calor. Nesses dias, sinto que o tempo se aquieta, as horas se tornam mais lentas e há uma suavidade no ar, como se o mundo inteiro respirasse em sincronia com meu corpo. Quando as nuvens se espalham pelo céu, criando um teto de sombra, algo em mim desperta. Sinto-me mais leve, mais presente. A luz difusa não agride meus olhos, o calor não sufoca minha pele. O sol, embora escondido, parece entender que há momentos em que seu brilho…

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    O Caminho para a Sabedoria

    No alto de uma montanha, havia uma pequena cidade chamada Engano, onde seus moradores viviam com medo de descer. Seus ancestrais os advertiam de que aqueles que simplesmente olhassem para baixo nas extremidades do monte seriam tragados pelo abismo e jamais retornariam. Assim, todos mantinham distância. Engano era um lugar peculiar. As celas da prisão não tinham grades; apenas um grande cartaz na frente de cada uma dizia: “Você está preso”. E, assim, os encarcerados permaneciam nas celas, não por obediência, mas porque acreditavam estar realmente presos. O líder daquele povoado era o Sr. Não Pense Muito, cujo lema era: “Não pense, eu penso por você”. Todos o tratavam como…

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    No Espelho do Pai Celestial

    Hoje, em meio às celebrações do Dia dos Pais, é impossível não notar as lacunas que permeiam muitos corações. Para alguns, a figura paterna é uma ausência doída, um espaço em branco que a vida jamais preencheu. Para outros, a lembrança do pai é um retrato desbotado, carregado de dores, decepções e feridas que, por vezes, parecem eternas. E há aqueles cuja relação com o pai se tornou um fardo pesado demais para ser carregado. Para estes, o conceito de paternidade se tornou algo distante, difícil, quase inalcançável. Mas há uma falha nessa perspectiva, um erro de ótica que nos impede de enxergar o verdadeiro sentido da palavra “Pai”. Quando…