Autismo: Deficiência e Neurodiversidade
O ano de 2024 chegou ao fim trazendo angústias e retrocessos significativos para a comunidade autista. Agora, em 2025, o cenário continua preocupante, apontando para uma direção ainda mais desafiadora. Entre as situações mais alarmantes esteve a possibilidade de exclusão das pessoas com autismo de nível 1 de suporte da lista de beneficiários do Benefício de Prestção Continuada (BPC-Loas). Isso, por si só, já representa um ataque direto aos direitos de uma parcela significativa de nossa população. Como se não bastasse, também foi retirada a cadeira de representação das pessoas autistas no CONAD, o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, na minuta mais recente. Claramente, essas medidas indicam…
O Papel da Igreja na Prevenção do Suicídio entre Pessoas Autistas
Nos últimos anos, muito tem se falado sobre a importância de a igreja se posicionar como pró-vida, especialmente em debates relacionados ao aborto e à dignidade de cada vida. Contudo, para muitas igrejas, essa defesa da vida, que poderia e deveria ser uma postura integral, tem se mostrado limitada ao começo da existência e, em muitos casos, se restringe a uma visão parcial de quem realmente precisa de apoio. No entanto, diante da alarmante taxa de suicídio entre pessoas autistas, questiono: será que estamos verdadeiramente comprometidos em defender a vida daqueles que estão entre nós, lutando diariamente para se manterem firmes? Leia também: Como Ajudar Alguém com Ideações Suicidas Um…
Por que você não leu?
Eu já tentei falar. De verdade. Tentei dizer nas entrelinhas de uma conversa qualquer, com aquelas palavras que vão só até a superfície, sem tocar o fundo. Não é fácil falar de mim, expor o que carrego por dentro. Cada luta, cada dificuldade e, principalmente, essa deficiência que me acompanha, faz sombra na minha comunicação. No entanto, quando as palavras não encontram o caminho da fala, elas se aconchegam nas páginas. A escrita se tornou o lugar onde posso dizer o que não consigo dizer cara a cara. É o meu jeito de socializar sem socializar, de me abrir sem abrir a boca. Leia também: Filosofia e Autismo: A Luz…
A Dor em Pessoas Autistas
A dor, para os seres humanos, é um fator intrínseco e inevitável. Ela é capaz de nos alertar sobre problemas, nos proteger de danos maiores e nos lembrar de nossa fragilidade. No entanto, quando se trata de pessoas autistas, a experiência da dor não é apenas física, mas se desdobra em camadas adicionais que poucos compreendem. A dor no autismo envolve distúrbios sensoriais, dificuldades proprioceptivas e desafios comunicacionais, que, quando não compreendidos, aumentam exponencialmente o sofrimento da pessoa autista. Este artigo visa analisar de maneira crítica e científica as particularidades da dor em indivíduos autistas, as consequências dessa vivência e como podemos auxiliar de forma eficaz. Leia também: O Jogo…
Esquisito Para Quem? Normatividade e Autismo
Vivemos em uma sociedade que impõe, de maneira sutil ou explícita, normas sobre como devemos nos comportar, pensar e até sentir. Esta “normatividade social” cria um padrão usado para julgar comportamentos como aceitáveis ou “estranhos”. Para alguém como eu, autista, ser chamado de “esquisito” é uma experiência recorrente. Contudo, a pergunta que me faço é: esquisito em relação a quem ou a quê? Leia também: A Desvantagem Social do Autista de Nível 1 A normatividade social é construída a partir de um consenso majoritário sobre o que é “normal”. Assim, características comportamentais de grupos sociais são generalizadas e cristalizadas como padrões. Alemães e suecos são frequentemente descritos como frios e…
O Amor que Reconhece as Diferenças
Ao entrar na clínica onde meu filho, autista, realiza suas sessões de terapia, deparei-me com uma frase que, à primeira vista, parece acolhedora e cheia de boas intenções: “Enquanto existir amor, não haverá diferenças.” No entanto, ao refletir mais profundamente sobre essas palavras, percebo o quanto elas são problemáticas, principalmente quando aplicadas ao contexto da neurodiversidade. A neurodiversidade, como o próprio nome sugere, é o reconhecimento das diferenças neurológicas entre os indivíduos. Ela nos ensina que o cérebro humano pode funcionar de diversas maneiras, e essas variações são naturais e devem ser respeitadas. A frase na clínica, porém, parece sugerir que o amor tem o poder de apagar ou ignorar…