• Autismo,  Neurodiversidade

    Sobre o Estranho Preconceito

    O mundo tem suas normas não escritas. São como linhas invisíveis que tecem o comportamento, o pensar, o existir. E, para quem não se encaixa nelas, sobra o rótulo: estranho. “Que menino estranho”, ouvi durante toda a minha infância. Era como se o que eu fosse tivesse algo de errado, algo que devia ser corrigido, ajustado. O tempo passou, os olhares e os sussurros ficaram. A sociedade, tão obcecada pela ideia de uma normalidade única, esquece que cada um de nós é um universo complexo e irrepetível. Leia também: Hostilidade Contra Autistas de Nível 1 Curiosamente, ser chamado de “estranho” me fez pensar no que é ser normal. Não existe…

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    Hostilidade Contra Autistas de Nível 1

    No debate sobre neurodiversidade, a sociedade parece ter uma relação desconcertante com os autistas de nível 1 de suporte. Isso acontece porque esses indivíduos vivem em uma zona limítrofe: são percebidos como “estranhos demais para serem normais, normais demais para serem autistas”. Essa percepção é fundamentalmente capacitista, alimentada por preconceitos que tornam invisíveis as dificuldades reais que enfrentamos. A sociedade precisa urgentemente reconhecer que não existe “autista de mais ou de menos”. Há apenas autistas, cada um com suas necessidades e desafios específicos. Leia também: A Desvantagem Social do Autista de Nível 1 O nível de suporte, que define o quanto um autista precisa de ajuda para suas necessidades diárias,…

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    A Desvantagem Social do Autista de Nível 1

    A sociedade contemporânea valoriza, em quase todos os seus setores, a habilidade de socializar. As relações interpessoais, o carisma e a capacidade de estabelecer vínculos rápidos e empáticos são frequentemente vistas como qualidades essenciais para o sucesso. Entretanto, essa expectativa coloca uma pressão injusta sobre pessoas que, por diversas razões, têm dificuldades com a socialização. No caso dos autistas de nível 1, essa desvantagem social é particularmente evidente, especialmente porque há uma suposição generalizada de que, por apresentarem menores desafios visíveis de comunicação em comparação com autistas de nível 2 e 3, devem ser capazes de interagir e se conectar como qualquer neurotípico. Leia também: A Dualidade da Socialização Autista…

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    Autismo e Masturbação na Adolescência

    A sexualidade é uma parte natural e importante da experiência humana, e não é diferente para as pessoas autistas. No entanto, falar sobre sexualidade no contexto do autismo ainda é um tabu para muitos. Neste artigo, abordaremos a questão da masturbação, ou a autoexploração sexual, e a importância de tratar esse tema com sensibilidade e clareza desde a pré-adolescência. Leia também: Sexualidade Autista e Seus Desafios O conceito de masturbação refere-se à estimulação dos órgãos genitais visando obter prazer sexual. Essa prática é uma forma normal de explorar a própria sexualidade e compreender o próprio corpo. Para jovens autistas, a descoberta da sexualidade pode apresentar desafios únicos. Meninos e meninas…

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    Flerte: Um Desafio Autista

    O flerte nunca foi uma habilidade natural para mim, e essa dificuldade é compartilhada por muitos autistas. As principais áreas de deficiência em pessoas autistas são comportamento, linguagem e socialização, aspectos que são cruciais no jogo da conquista. Acredito que muitos autistas possam se identificar com essa luta. Leia também: Sexualidade Autista e Seus Desafios Desde cedo, percebi que tinha dificuldade em iniciar uma paquera. As nuances e sutilezas do flerte, que para muitos parecem tão naturais, sempre me escaparam. Eu não conseguia entender quando alguém estava tentando me conquistar, e muito menos conseguia transmitir minhas intenções de forma clara. Esses desafios tornavam as interações amorosas um terreno nebuloso e…

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    Sexualidade Autista e Seus Desafios

    A sexualidade humana é um campo vasto e complexo, marcado por uma miríade de expressões e experiências. No entanto, quando se trata de pessoas autistas, muitas vezes prevalece uma visão distorcida e limitada, que as coloca sob uma áurea de castidade ou santidade, como se fossem inocentes ou imunes a desejos sexuais. Esta percepção não só é incorreta, como também desumaniza e nega a realidade de que pessoas autistas também são seres sexuais. Leia também: Flerte: Um Desafio Autista Pessoas autistas, independentemente do nível de suporte necessário – seja nível 1, 2 ou 3 – podem sentir desejo e interesse pelo outro, querer manter relações amorosas e sexuais, e encontrar…